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Senador Jaques Wagner é alvo de operação da Polícia Federal contra o Banco Master

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18/6), a nona etapa da Operação Compliance Zero, tendo como um dos principais alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal. A nova fase da investigação busca detalhar a suposta participação de figuras públicas em fraudes […]

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18/6), a nona etapa da Operação Compliance Zero, tendo como um dos principais alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal.

A nova fase da investigação busca detalhar a suposta participação de figuras públicas em fraudes financeiras e foca na estreita relação entre o parlamentar baiano e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno — instituição que sofreu liquidação pelo Banco Central em fevereiro — e apontado como um aliado próximo de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. A apuração ganhou força após peritos analisarem comunicações armazenadas no telefone celular de Augusto Lima.

O cerne da investigação aponta que Jaques Wagner teria atuado politicamente no Congresso Nacional para favorecer projetos que atendiam aos interesses comerciais do grupo Master. Entre as ações sob suspeita estão o andamento da chamada “Emenda Master“, dispositivo apresentado originalmente pelo senador Ciro Nogueira à PEC 65/2023 com o objetivo de alterar as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e uma proposta legislativa voltada para a ampliação das margens do crédito consignado.

Em contrapartida ao suposto lobby, os investigadores indicam que o senador baiano teria sido beneficiado com vantagens financeiras ilícitas, que incluem o recebimento de um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, repasses de R$ 3,5 milhões por meio de uma companhia ligada a seus parentes, além da disponibilização de jatinhos particulares e ingressos para espetáculos. Wagner, que acumula o histórico de ter governado a Bahia por dois mandatos e chefiado pastas ministeriais, já havia sido mencionado anteriormente no caso por supostamente agenciar reuniões entre a cúpula do banco e altas autoridades federais.

Ao todo, os policiais federais saíram às ruas para cumprir 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), com alvos distribuídos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Além dos recolhimentos, o Judiciário determinou medidas restritivas que proíbem o contato mútuo entre os investigados e exigem a retenção de seus passaportes. Os crimes avaliados nesta fase podem configurar práticas de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A Operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025 para desmantelar um esquema de fraudes bilionárias estimado em R$ 12 bilhões, que começou com a emissão de papéis financeiros sem lastro pelo Banco Master e resultou na prisão preventiva de Daniel Vorcaro na época.

Com o desdobramento das apurações, o caso passou a englobar denúncias de espionagem, intimidação e aportes suspeitos feitos pelo Banco de Brasília (BRB), alcançando também outras autoridades como o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o senador Ciro Nogueira.

Diante da repercussão dos mandados cumpridos nesta quinta-feira, a defesa de Augusto Ferreira Lima manifestou-se oficialmente por meio de nota jurídica, classificando as buscas policiais como um ato desnecessário.

O texto dos advogados argumenta que o ex-banqueiro já se encontrava totalmente à disposição das autoridades de fiscalização há pelo menos seis meses para prestar esclarecimentos de forma voluntária.

A manifestação da defesa conclui assegurando que o andamento do processo servirá para comprovar a completa licitude de todas as condutas de Augusto Lima, reforçando que suas atividades profissionais sempre respeitaram os limites legais, os critérios técnicos e as normas regulatórias do sistema financeiro nacional e da administração pública. Todos os agentes públicos e empresários citados nas investigações negam o envolvimento em qualquer irregularidade.

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