Uma força-tarefa da Polícia Federal e do Ministério Público Federal deflagrou, nesta sexta-feira, (10/7) a “Operação Vaza Maré“, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas.
O grupo utilizava veleiros e contêineres de carga comercial para escoar cocaína do Brasil em direção ao continente europeu. Ao todo, quatro mandados de prisão preventiva foram executados em importantes polos urbanos e turísticos do extremo-sul baiano, sendo um em Eunápolis, um no centro de Porto Seguro, um em Arraial d’Ajuda e outro em Trancoso. Outros dois mandados judiciais com o mesmo teor foram cumpridos no estado de Santa Catarina, no município de Catanduba.
A identidade dos detidos e as funções específicas que desempenhavam na estrutura do grupo criminoso não foram detalhadas pelas autoridades. No entanto, apurações locais indicam que um dos homens capturados na região baiana já era monitorado pela Justiça por meio do uso de tornozeleira eletrônica. As investigações sobre essa rota clandestina começaram há alguns anos, quando as forças de segurança interceptaram uma embarcação do tipo veleiro que havia partido de Trancoso carregando duas toneladas de cocaína pura com destino ao exterior.
Embora os detalhes da nova operação corram sob sigilo, o cenário do tráfico internacional no estado tem registrado episódios expressivos recentemente. Há poucas semanas, agentes federais localizaram 200 quilos de cocaína camuflados em sacas de soja no Porto de Salvador, que seriam levados para a França. Naquela ação, ninguém foi preso, e ainda não há confirmação oficial sobre um vínculo direto entre a carga retida na capital e as prisões efetuadas no extremo-sul.
A vulnerabilidade e o uso de estruturas portuárias por organizações criminosas na Bahia ficaram evidentes também com a condenação recente de seis membros de outra quadrilha a penas de até 20 anos de reclusão por tráfico internacional no terminal de Salvador. Aquele grupo operava com um esquema sofisticado que contava com funcionários do próprio terminal para acessar sistemas internos e selecionar contêineres posicionados em pontos cegos das câmeras de vigilância. Para entrar no local sem levantar suspeitas, os criminosos utilizavam veículos clonados com identidades visuais de prestadores de serviço terceirizados e subornavam vigilantes do porto para burlar as inspeções de rotina.
