Extensas áreas de pastagem que por décadas sustentaram a pecuária na zona rural de Eunápolis, no extremo sul baiano, passam por uma profunda transformação ecológica. Onde antes predominavam o solo compactado, o desmatamento e a perda da biodiversidade local, iniciativas de restauração ambiental ganham força, impulsionadas pelas condições climáticas favoráveis, pelo regime regular de chuvas e pelo alto potencial de regeneração da Mata Atlântica na região.
A infraestrutura logística do município, próxima a viveiros de mudas e prestadores de serviços especializados, consolida o território como um polo estratégico para investimentos voltados à mitigação das mudanças climáticas.
Dentro desse cenário de transição ecológica e busca pela redução de emissões de dióxido de carbono nas cadeias produtivas, parcerias corporativas vêm viabilizando intervenções em larga escala. A empresa re.green, especializada em recuperação florestal, atua em conjunto com a Nestlé em uma iniciativa que prevê a restauração de 2 mil hectares no sul da Bahia.
O projeto projeta o cultivo e a manutenção de 3,3 milhões de árvores nativas do bioma, combinando o plantio direto e a semeadura de espécies como pau-brasil, ingá-açu, embaúba, pau-viola e capixingui.

Atualmente, os trabalhos se concentram nas fazendas Gameleira e Surubim, somando cerca de 866 hectares sob processo de recuperação em fases distintas. No primeiro ano de atuação conjunta, mais de 170 mil mudas já foram introduzidas no solo local.
O planejamento prevê a aquisição de novas propriedades até o término de 2026, expandindo a área em restauração em mais 1.500 hectares. A metodologia aplicada vai além do plantio isolado, abrangendo diagnósticos minuciosos sobre a dinâmica hídrica, a fauna residente, a saúde dos solos e o envolvimento socioeconômico das comunidades do entorno.
Com prazo de execução fixado em pelo menos três décadas, as ações envolvem o monitoramento contínuo da regeneração ambiental e a capacitação de moradores de assentamentos vizinhos para a geração de renda sustentável.
Além da recuperação da cobertura vegetal e da proteção dos recursos hídricos, a restauração do ecossistema tem capacidade estimada para gerar aproximadamente 880 mil unidades no mercado de créditos de carbono, no qual ativos representativos da remoção de CO₂ são negociados por corporações que buscam compensar suas emissões e cumprir metas ambientais.


