A região compreendida entre a Aldeia Barra Velha e o povoado de Xandó, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro, tornou-se palco de um intenso conflito que mistura disputas territoriais, insegurança pública e questões fundiárias complexas. Nos últimos dias, relatos de moradores apontam para uma onda de invasões que teria atingido mais de 50 imóveis, gerando uma onda de pânico entre os residentes locais.
Segundo as denúncias, famílias teriam sido compelidas a deixar suas casas de forma abrupta, relatando ainda o saque de bens pessoais, incluindo móveis, vestuário e documentos. A insegurança provocou um êxodo forçado de muitos moradores, que agora buscam garantias de proteção para retornar às propriedades e tentar recuperar o que restou de seus pertences.

Versões conflitantes
Enquanto parte da comunidade local atribui as ações a grupos de indígenas aliados a indivíduos com envolvimento em atividades criminosas, a Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá refuta categoricamente as acusações de violência. Em nota oficial, a entidade defende que a área integra um território reconhecido como indígena desde 1991 por decreto homologado, sustentando que o que ocorre é um processo de desintrusão previsto em lei.
Por outro lado, moradores da área contestam a legitimidade dessa delimitação específica, argumentando que a localização dos conflitos estaria fora da área demarcada. Há, ainda, uma divergência interpretativa sobre os fatos: enquanto alguns classificam os episódios como invasões criminosas, outros setores da sociedade local sugerem que a ação se configura como uma reintegração de posse focada em retirar ocupações consideradas irregulares, muitas delas ligadas à especulação imobiliária de alto valor em áreas litorâneas.

Cenário complexo
O impasse em Caraíva é alimentado por um histórico de irregularidades, que envolve desde a venda ilícita de lotes até a atuação de grupos que se aproveitam do vácuo jurídico para exercer controle territorial. A disputa coloca em lados opostos famílias que residem há anos no local e comunidades que buscam a recuperação de direitos ancestrais, tudo isso sob a sombra de interesses econômicos e da valorização imobiliária.
O Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso, uma vez que a natureza da disputa envolve terras da União e direitos constitucionais de povos originários. Até o momento, não há uma solução imediata à vista, e a tensão permanece elevada, com ambas as partes aguardando uma mediação que estabeleça a legalidade e restabeleça a segurança no distrito.
