As peças do quebra-cabeça que envolve três homicídios ocorridos no último final de semana em Porto Seguro começaram a se encaixar após uma madrugada de violência e intensa atividade policial.
Uma operação de patrulhamento da RONDESP Extremo Sul desarticulou, na madrugada desta terça-feira (14/7), uma base de operações de uma organização criminosa que funcionava sob o disfarce de um espaço de eventos na Rua Fernando de Noronha, no bairro nobre Alto do Mundaí.
O flagrante ocorreu por volta de 1h15, quando moradores e transeuntes alertaram as viaturas sobre a presença de homens ostentando armas de fogo no local. Ao perceberem a chegada das guarnições, os suspeitos tentaram se abrigar no imóvel e iniciaram um intenso tiroteio contra os policiais.
No revide, dois homens foram baleados e socorridos ao Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães. Diego Santos Almeida não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde, enquanto um segundo suspeito foi preso e permanece hospitalizado sob custódia.
No local, a polícia apreendeu uma pistola 9mm com carregador alongado, um revólver calibre .38, munições e um celular.

A partir do desfecho dessa operação, a 1ª Delegacia Territorial de Porto Seguro cruzou dados e confirmou que a residência no Alto do Mundaí era, na verdade, o “quartel-general” onde o bando planejava suas ações.
O grupo é apontado como o executor de uma onda de assassinatos que assustou a cidade entre o sábado (10) e a madrugada de domingo (11), vitimando Márcio Silva dos Santos (o “Garrafinha”), Jacó Sousa Monteiro e Edinaldo Saraiva da Silva.
De acordo com o inquérito policial, as mortes — embora com motivações distintas — estão diretamente interligadas pela atuação da mesma quadrilha. A primeira execução, de “Garrafinha”, decorreu da rivalidade histórica entre grupos criminosos locais.
A segunda vítima, Jacó, foi assassinada pelo bando em uma espécie de “tribunal do crime“, após ser acusado de importunar sexualmente uma mulher ligada aos suspeitos.
Por fim, Edinaldo perdeu a vida simplesmente por estar no lugar errado e na hora errada: ele foi silenciado como queima de arquivo por ter presenciado o assassinato de Jacó.
Com a operação desta terça-feira, a polícia localizou dois dos três principais executores identificados pela investigação. O terceiro envolvido já teve a prisão preventiva solicitada e segue sendo procurado pelas forças de segurança, que mantêm as buscas para desmantelar por completo o restante do braço financeiro e operacional da facção na região.
