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Prefeitura de Eunápolis e IDES trocam acusações e deixam a pergunta: quem está mentindo?

A saúde pública de Eunápolis foi transformada em um verdadeiro picadeiro de notas oficiais e guerra de narrativas, onde a corda, como sempre, arrebenta do lado mais fraco: o do trabalhador e o do paciente. Após o Instituto IDES denunciar que a falta de repasses da prefeitura travou o pagamento de salários e fornecedores do […]

A saúde pública de Eunápolis foi transformada em um verdadeiro picadeiro de notas oficiais e guerra de narrativas, onde a corda, como sempre, arrebenta do lado mais fraco: o do trabalhador e o do paciente.

Após o Instituto IDES denunciar que a falta de repasses da prefeitura travou o pagamento de salários e fornecedores do Hospital Geral, a Secretaria Municipal de Saúde resolveu contra-atacar.

A pasta negou qualquer inadimplência e justificou a retenção do dinheiro alegando que o instituto não entregou as prestações de contas de maio e da primeira quinzena de junho de 2026. Diante de duas versões tão detalhadas e totalmente opostas, a população eunapolitana é obrigada a levantar o questionamento definitivo: afinal, quem está mentindo nessa história?

Por um lado, a prefeitura se apega rigidamente à burocracia do Termo de Colaboração nº 002/2025 para tentar sair como a defensora da legalidade. Segundo a versão oficial do município, a liberação das verbas está contratualmente condicionada à entrega de relatórios de execução, extratos bancários e documentos fiscais — exigências que o IDES supostamente descumpriu.

A gestão municipal alega que essa trava administrativa serve exatamente para “resguardar” o pagamento de servidores e fornecedores, garantindo que o dinheiro carimbado chegue ao destino certo. No entanto, essa justificativa levanta sérias dúvidas sobre a capacidade de fiscalização da própria prefeitura.

Se o IDES já estava inadimplente com a prestação de contas desde o mês de maio, por que a Secretaria de Saúde esperou o contrato vencer, no dia 15 de junho, e o escândalo estourar na mídia para tomar uma atitude?

Essa passividade e a pressa em culpar exclusivamente a empresa terceirizada expõem uma gritante falta de planejamento e de controle preventivo por parte do Executivo local. Usar relatórios pendentes como escudo político enquanto pais e mães de família ficam sem salário nos corredores do hospital é, no mínimo, uma demonstração de insensibilidade com a linha de frente da saúde.

A prefeitura se vangloria de ter assumido a gestão direta do Hospital Geral sem interromper os atendimentos, mas falha miseravelmente em entregar a transparência que tanto prega em seus comunicados.

Se o instituto sumiu com os balancetes ou se a gestão municipal está fabricando desculpas burocráticas para mascarar a falta de fundos e um caixa estrangulado, o fato é que o cenário em Eunápolis é de total desgoverno.

Enquanto o mistério de quem está falando a verdade não se resolve, os profissionais da saúde continuam sem ver a cor do dinheiro e a população segue refém de uma administração que prefere transferir culpas a assumir responsabilidades.

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