A ex-vereadora e diretora-geral da Secretaria Municipal de Reparação (Semur), Leo Kret (PDT), está sob investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) na manhã desta terça-feira (26/5). A ação, denominada “Operação Sponsor”, apura crimes de peculato, fraudes em processos licitatórios e desvios de recursos públicos destinados a entidades carnavalescas e organizadores de Paradas LGBTI+ em Salvador.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em um órgão público, uma associação e endereços ligados a cinco pessoas, incluindo servidores da Prefeitura de Salvador. Apesar das buscas, não houve prisões. A Justiça determinou o afastamento de Leo Kret da função, bem como do presidente de uma associação investigada e de duas servidoras municipais.
As investigações, iniciadas após denúncias de organizadores de eventos e membros da comunidade LGBTI+ sobre irregularidades na destinação de verbas para a “Caminhada da Diversidade LGBTI+”, apontam para o desvio de mais de R$ 1,1 milhão. Estes recursos deveriam ter sido utilizados para o patrocínio de eventos carnavalescos e ações voltadas para a comunidade LGBTI+, além de apoiar 18 blocos carnavalescos e eventos em 57 bairros da capital baiana para o Carnaval de 2025.
Leo Kret, conhecida como a “dançarina do povo” por sua trajetória no grupo de pagode Saiddy Bamba, foi a primeira vereadora transexual de Salvador, eleita em 2008 com 12.860 votos. Ao longo de sua carreira política, concorreu a diversos cargos, incluindo vereadora e deputada estadual e federal, sem obter sucesso em eleições posteriores a 2008.
A diretora-geral da Semur foi afastada de sua função por determinação judicial. O MP-BA alega que os recursos públicos foram desviados através de uma associação de fachada, onde parte dos valores teria beneficiado integrantes da própria associação, em vez de serem aplicados nos eventos e ações planejadas.
Segundo o MP-BA, a associação investigada teria recebido mais de R$ 1,1 milhão da Prefeitura de Salvador. As investigações indicam que parte significativa desses fundos foi desviada, prejudicando a realização de eventos carnavalescos e ações de apoio à comunidade LGBTI+.
Os promotores de justiça iniciaram a apuração após receberem informações e documentos de organizadores de eventos e membros da comunidade LGBTI+. As denúncias relatavam irregularidades na destinação de verbas públicas, especificamente em relação ao projeto “Caminhada da Diversidade LGBTI+”.
A “Operação Sponsor” foca em crimes como peculato, que é o desvio de bens públicos por funcionário público, e fraudes em processos licitatórios. O objetivo é esclarecer como os recursos públicos foram geridos e identificar os responsáveis pelo suposto desvio.
A Prefeitura de Salvador e a defesa de Leo Kret foram contatadas para comentar o caso, mas não obtiveram resposta até a última atualização desta reportagem. As investigações continuam em andamento para apurar todos os fatos e responsabilidades.
