O desaparecimento de Márcio dos Santos Bispo, de 36 anos, completa 11 dias cercado por relatos brutais de violência e um suposto “acerto de contas” por um crime que ele talvez nem tenha cometido. Morador do bairro Pequi, em Eunápolis, Márcio havia se deslocado para Porto Seguro para trabalhar como pedreiro ao lado do pai, mas perdeu o contato com a família após ser visto pela última vez na região do bairro Campinho.
De acordo com os novos detalhes fornecidos pela família, o sumiço ocorreu após um episódio no domingo (11/1), quando Márcio, que lutava contra a dependência química, teria trocado uma televisão pertencente ao próprio pai por entorpecentes. Após a troca, ele passou a circular pelas imediações da Praça São Sebastião, local onde costumava ficar.
O drama se intensificou quando criminosos da área suspeitaram que o aparelho de TV seria fruto de um furto ocorrido em uma creche do bairro. Sob essa acusação, Márcio teria sido levado à força por um grupo para uma espécie de “tribunal do crime”.
Testemunhas em situação de rua relataram à família a existência de um vídeo que registraria o espancamento de Márcio. Segundo essas fontes, as imagens teriam sido exibidas para outros moradores de rua como uma forma de “lição” para coibir roubos na comunidade. Após as agressões, o trabalhador teria sido assassinado e seu corpo ocultado em uma área de manguezal no Centro de Porto Seguro.
Acostumados com ausências de no máximo três dias, os familiares entraram em desespero com o silêncio prolongado. No último sábado (17/11), um irmão de Márcio percorreu áreas de Porto Seguro em busca de pistas, e a família chegou a realizar buscas manuais na região do mangue, mas nenhum rastro foi encontrado.
O caso está sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para verificar a veracidade do vídeo mencionado e localizar o paradeiro de Márcio. Até o momento, o pedreiro segue oficialmente desaparecido. Informações que ajudem a polícia podem ser enviadas de forma anônima.
