O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontraram na Casa Branca, em Washington, para uma reunião que durou aproximadamente três horas. Ambos os líderes classificaram o encontro como positivo. Trump elogiou Lula, chamando-o de “muito dinâmico” e indicou a possibilidade de novos encontros em breve.
Lula, em coletiva de imprensa após o encontro, detalhou os assuntos abordados e aqueles que ficaram de fora da pauta. A relação bilateral, terras raras, guerras, mudanças na ONU e até uma brincadeira sobre a Copa do Mundo foram temas discutidos. No entanto, a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas e os ataques dos EUA ao PIX não entraram na conversa, conforme relatado pelo presidente brasileiro.
A reunião entre Lula e Trump, conforme informado pelo presidente brasileiro, teve como foco principal a retomada e o fortalecimento da relação entre Brasil e Estados Unidos. Lula expressou o desejo de que os EUA vejam o Brasil como um parceiro estratégico e destacou o interesse mútuo em expandir parcerias, especialmente nas áreas econômica e comercial. Ele apontou que a América Latina tem recebido menos atenção dos EUA nos últimos anos, o que favoreceu a expansão da China na região.
O presidente Lula defendeu uma relação pautada no diálogo e no multilateralismo, em contraposição a políticas unilaterais. Segundo ele, o Brasil está aberto a negociar com diversos parceiros, respeitando sempre a soberania e os interesses nacionais. Lula propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para solucionar impasses comerciais relacionados a tarifas de importação, com uma proposta a ser apresentada em 30 dias.
Ele saiu otimista do encontro, avaliando que há espaço para avanços significativos. Lula percebeu em Trump uma disposição para manter o diálogo aberto, o que pode levar a futuras reuniões. A expectativa é de que essa aproximação contribua para um relacionamento mais robusto entre os dois países.
A conversa entre Lula e Trump abordou o imenso potencial do Brasil na exploração de terras raras e minerais críticos, recursos considerados estratégicos para a economia global. O presidente brasileiro enfatizou o plano do país de aprofundar o conhecimento sobre seu território e explorar esses recursos de maneira planejada e sustentável.
Lula reiterou que o Brasil não deseja repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima sem agregação de valor. A proposta é desenvolver toda a cadeia produtiva no Brasil, incluindo as etapas de processamento e industrialização. O país se mostra aberto a parcerias internacionais, inclusive com empresas americanas, buscando investimentos que impulsionem o desenvolvimento interno.
Conflitos internacionais e a visão do Brasil sobre as guerras em curso foram temas centrais na discussão entre Lula e Trump. O presidente brasileiro defendeu o diálogo como principal alternativa a intervenções militares, ressaltando a importância de expor diretamente as posições brasileiras. Ele mencionou situações específicas, como Irã e Venezuela, colocando o Brasil à disposição para mediar negociações.
Lula afirmou ser “totalmente contra guerras” e crítico dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Sobre Cuba, Lula relatou que Trump expressou não ter intenção de invadir a ilha, considerando essa declaração um sinal positivo. A defesa do diálogo prevaleceu como caminho para a resolução de tensões globais.
A necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU foi um ponto defendido por Lula na conversa com Trump. O presidente brasileiro argumentou que a estrutura atual, datada do pós-Segunda Guerra Mundial, não reflete mais a realidade geopolítica internacional. Ele cobrou maior protagonismo das potências com assento permanente para liderar esse processo de mudança.
Lula destacou que a falta de reformas limita a capacidade de atuação da ONU em conflitos e crises, prejudicando sua relevância. Ele voltou a defender a ampliação do Conselho, com a inclusão de novos membros permanentes, citando Brasil, Japão, Índia e países africanos como candidatos a participar das decisões globais.
O encontro entre Lula e Trump também teve momentos de descontração, incluindo uma conversa sobre a próxima Copa do Mundo. Lula relatou ter aproveitado a oportunidade para fazer uma brincadeira com Trump, utilizando como referência a política migratória dos Estados Unidos. Ele avaliou que momentos de bom humor ajudam a tornar as reuniões mais tranquilas e produtivas.
O presidente brasileiro ressaltou que a imagem de um encontro leve e descontraído tem peso político, sendo melhor ver Trump sorrindo do que “de cara feia”. Lula fez questão de criar um ambiente mais leve, acreditando que o bom humor contribuiu para o bom andamento da reunião.
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Temas que Ficaram Fora da Pauta: Facções e PIX
Alguns temas previstos para a reunião não foram abordados diretamente, como a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e o PIX. Lula informou que, embora a questão das facções não tenha sido tratada de forma explícita, o Brasil reafirmou seu compromisso em intensificar o combate ao crime organizado e mencionou iniciativas de cooperação internacional na área.
O presidente brasileiro declarou que o Brasil está disposto a ajudar na criação de um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado, envolvendo países da América do Sul, América Latina e outras regiões. Sobre o PIX, Lula mencionou que levou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, com a expectativa de discutir o tema, que está sob investigação dos EUA por supostas irregularidades comerciais, sendo visto como uma ameaça a empresas americanas.
Fonte: g1
