O Supremo Tribunal Federal (STF) mantém em andamento três frentes investigatórias que têm como alvo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os procedimentos analisam desde supostos desvios no financiamento de uma obra audiovisual até denúncias de infração contra a honra do chefe do Executivo federal, além de transações financeiras atípicas e atuações no setor de apostas virtuais que somam cifras milionárias.
Inquérito do filme Dark Horse envolve Flávio Bolsonaro
O primeiro procedimento no STF debruça-se sobre a captação de recursos para o filme “Dark Horse”, cinebiografia focada no ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com apurações jornalísticas, o parlamentar teria solicitado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro uma quantia superior a R$ 100 milhões para custear as gravações da obra.
O congressista passou a figurar formalmente como investigado na causa em julho, sustentando que os valores envolvidos possuem origem estritamente privada, embora não tenha apresentado relatórios de prestação de contas.
Calúnia contra Lula no X
A segunda apuração trata de uma acusação formulada contra o senador por suposta prática de calúnia endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A representação teve origem em uma postagem veiculada por Flávio Bolsonaro em sua rede social X no dia 3 de janeiro, na qual atribuía ao chefe do Planalto o envolvimento em condutas ligadas ao narcotráfico e à ocultação de bens. Diante das alegações e do foro por prerrogativa de função, a matéria acabou remetida à Corte Suprema.
Lavagem de dinheiro e passaporte de Flávio Bolsonaro
A terceira investigação apura suspeitas de lavagem de capitais e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Relatórios da Polícia Federal identificaram movimentações atípicas de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025, consideradas incompatíveis com a renda declarada do parlamentar e associadas a explorações de apostas online.
O caso teve início na 11ª Vara Federal de Porto Alegre e ascendeu ao STF no período eleitoral de outubro. A apuração ganhou tração após a extração de dados da nuvem do celular de Tomaz, que revelou imagens de viagens conjuntas, registros de passagens e diálogos sobre o gerenciamento de contas bancárias, resultando na determinação de quebra de sigilo bancário pelo ministro Alexandre de Moraes.
Em meio aos desdobramentos mais recentes, após o envio de esclarecimentos por parte da instituição financeira e manifestações públicas de aliados sobre eventuais viagens ao exterior, a Polícia Federal requereu a apreensão do passaporte do congressista.
A medida cautelar foi acolhida pelo STF, culminando na intimação do parlamentar e em questionamentos por parte da defesa e aliados sobre os critérios jurídicos adotados na decisão. Sob a relatoria dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, os processos poderão ter continuidade na Suprema Corte mesmo após o término do mandato do senador, previsto para fevereiro de 2027, caso fique configurada a relação entre as condutas apuradas e o exercício do cargo público.
Entenda o papel do STF nos inquéritos de parlamentares
O Supremo Tribunal Federal é a instância responsável por processar e julgar senadores e deputados federais em infrações penais comuns, regra conhecida como foro por prerrogativa de função. É por isso que investigações envolvendo parlamentares costumam ser conduzidas por ministros da Corte, com apoio da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
Um inquérito é uma etapa de apuração. Ele reúne depoimentos, documentos e perícias para verificar se há indícios suficientes de crime. A abertura de um inquérito não significa condenação, e o investigado tem direito à ampla defesa e ao contraditório ao longo de todo o processo.
O espaço do Nordeste Dia a Dia segue aberto para manifestações da defesa de Flávio Bolsonaro e acompanhará todos os desdobramentos dos três casos no Supremo Tribunal Federal.


