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Diretor-adjunto do Conjunto Penal de Eunápolis é exonerado após delação sobre fuga de presos

Sergio Vinicius Tanure dos Santos foi exonerado do cargo de diretor-adjunto do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado na ultima sexta-feira (24/4), nomeia Ernani Pereira Silva para a função. A mudança acontece em um momento delicado, após a divulgação da delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora […]

Sergio Vinicius Tanure dos Santos foi exonerado do cargo de diretor-adjunto do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado na ultima sexta-feira (24/4), nomeia Ernani Pereira Silva para a função.

A mudança acontece em um momento delicado, após a divulgação da delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora da unidade prisional. Joneuma detalhou um esquema que teria facilitado a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024.

Segundo a ex-diretora, a fuga teria sido negociada a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), em troca de R$ 2 milhões. Uldurico nega as acusações. As informações foram veiculadas no último sábado (18/4). Conforme divulgação, a colaboração premiada foi homologada pela Justiça e Joneuma cumpre prisão domiciliar.

Escândalo da Fuga em Eunápolis: O que diz a delação

Joneuma Silva Neres relatou ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) que o ex-deputado federal Uldurico Júnior teria se reunido com traficantes dentro do presídio em pelo menos três ocasiões. Em uma dessas reuniões, Joneuma alega que Uldurico teria solicitado a retirada das algemas dos detentos.

A ex-diretora também afirmou que Uldurico recebia mensagens de cobrança de um “chefe”, que ela identificou como o ex-ministro Geddel Vieira Lima, então correligionário do ex-deputado no MDB. Joneuma disse que Uldurico lhe encaminhava mensagens que supostamente eram de Geddel, pressionando por valores. Geddel Vieira Lima negou qualquer envolvimento com o caso, afirmando que Uldurico usou seu nome indevidamente.

O plano inicial, segundo Joneuma, era facilitar a fuga de Ednaldo Pereira Souza, o Dada, chefe do PCE, e Sirlon Risério Dias Silva, o Saguin, seu sub-chefe. No entanto, a fuga acabou envolvendo outros 14 detentos. Dada, que conta com apoio do Comando Vermelho, fugiu do país após a operação de recaptura no Rio de Janeiro.

Acusações de Negociação e Pagamento Bilionário

A delação aponta que a fuga foi planejada com foco na saída de Dada. Em outubro de 2024, Uldurico Júnior teria pressionado Joneuma por mais contato com Dada, buscando recursos financeiros para quitar dívidas. A negociação teria culminado no acordo de R$ 2 milhões pela fuga, com um adiantamento de R$ 200 mil.

Segundo Joneuma, a primeira parcela foi paga em espécie, com parte em uma caixa de sapato entregue ao pai do ex-deputado, Uldurico Alves Pinto, e o restante via PIX. Ela também relatou que, segundo Uldurico, metade do dinheiro seria destinado a Geddel Vieira Lima.

Repercussão e Negativas das Partes Envolvidas

A defesa de Uldurico Júnior negou todas as alegações, afirmando que são falsas e com o intuito de desviar responsabilidade. Segundo os advogados, o ex-deputado desconhecia qualquer plano de fuga e não recebeu dinheiro algum.

Geddel Vieira Lima, expressou indignação e negou veementemente qualquer participação. Ele classificou Uldurico como “irresponsável, inconsequente e leviano”, acusando-o de usar seu nome para se proteger. A defesa do pai de Uldurico Júnior aguarda acesso aos autos para se manifestar.

Operação de Recaptura e Fugitivos Foragidos

Mais de um ano após a fuga em massa, apenas um detento foi recapturado e dois morreram em confronto. Treze continuam foragidos. Uma operação recente no Rio de Janeiro, coordenada com o MP-BA, visava recapturar Dada, mas o criminoso conseguiu fugir por uma passagem secreta.

A operação resultou na prisão de três pessoas ligadas a facções criminosas. A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que tem colaborado com as investigações desde o início.

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