O empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, movimentou um total de R$ 19,5 milhões em sua conta bancária durante o período de quatro anos, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2024. Os dados foram revelados após a quebra de seu sigilo bancário e fiscal, autorizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS.
Os registros detalham que R$ 9,774 milhões entraram na conta (créditos) e R$ 9,758 milhões saíram (débitos) ao longo dos 25 meses analisados. A defesa de Lulinha, em nota, classificou as fontes de renda como “legítimas” e criticou a ausência de qualquer ligação com as fraudes investigadas pela CPI.
A investigação da CPI busca apurar possíveis conexões do empresário com esquemas de fraudes no INSS, especialmente com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Dentre os valores creditados na conta de Lulinha, destacam-se três transferências realizadas pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, totalizando R$ 721,3 mil. A maior delas, no valor de R$ 384 mil, ocorreu em julho de 2022, período em que Lula se preparava para a campanha presidencial. As outras duas transações foram efetuadas em dezembro de 2023, encerrando o primeiro ano do atual mandato presidencial.
Segundo a defesa de Lulinha, essas transferências foram justificadas como “adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente, devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso, ou de empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança”.
A maior parte da movimentação financeira de Lulinha, segundo os dados da CPI, provém de rendimentos de investimentos e transações entre duas de suas empresas: a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia. Ambas sediadas em São Paulo, com capital social de R$ 100 mil cada, atuam nas áreas de tecnologia da informação, marketing e consultoria empresarial.
Com a LLF Tech, Lulinha movimentou R$ 2,3 milhões, e com a G4 Entretenimento, R$ 772 mil. Além disso, o empresário realizou pagamentos significativos a seus ex-sócios na extinta Gamecorp. Foram R$ 750 mil destinados a Kalil Bittar e R$ 704 mil a Jonas Suassuna Filho.
O sigilo fiscal e bancário de Lulinha foi quebrado após aprovação na CPI do INSS, seguindo uma autorização anterior do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no início do ano. A PF já examinava os dados financeiros de Lulinha, suspeito de envolvimento com o empresário “Careca do INSS”.
A defesa de Lulinha tem negado veementemente qualquer irregularidade e chegou a recorrer ao STF para suspender a quebra de sigilo bancário aprovada pela CPI. A defesa argumenta que a investigação da CPI não apresentou elementos que conectem Lulinha às fraudes do INSS, que seriam o objeto principal da quebra de sigilo.
Jonas Suassuna Filho, um dos ex-sócios de Lulinha, foi um dos proprietários do sítio de Atibaia, imóvel central na condenação do presidente Lula na Operação Lava Jato em 2019, acusação posteriormente anulada pelo STF.
