Política

“Qualquer dia alguém invade a gente”: Lula defende autonomia militar em encontro com presidente da África do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (9/3), a necessidade de o Brasil e a África do Sul focarem na autonomia e no fortalecimento de suas capacidades de defesa. A proposta foi feita durante encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília. Lula enfatizou que a autossuficiência […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (9/3), a necessidade de o Brasil e a África do Sul focarem na autonomia e no fortalecimento de suas capacidades de defesa. A proposta foi feita durante encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Lula enfatizou que a autossuficiência na produção de artigos militares é crucial para garantir a soberania nacional. Ele argumentou que a dependência de outros países para armamentos pode gerar vulnerabilidades e ressaltou a importância de uma cooperação Sul-Sul para o desenvolvimento industrial.

A declaração de Lula sobre defesa ocorreu após a assinatura de acordos bilaterais entre Brasil e África do Sul em áreas como turismo, comércio exterior e indústria. A visita de Ramaphosa ao Brasil se estende até esta terça-feira (10), com foco em aprofundar as relações entre as nações, conforme informado por fontes oficiais.

Durante a reunião, Lula destacou que o Brasil tem potencial para produzir seus próprios equipamentos de defesa, evitando a compra de armas de potências estrangeiras. “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, alertou o presidente, defendendo a união de esforços para construir uma capacidade autônoma.

Ele propôs que os dois países do Sul Global articulem uma parceria estratégica para se tornarem um mercado relevante na indústria de defesa. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, pontuou Lula, ressaltando a importância de aproveitar o potencial conjunto.

Em outro ponto da conversa, Lula expressou sua “profunda preocupação” com a escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente as ações envolvendo o Irã. Ele alertou que a situação representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, e que “o diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura“.

O presidente brasileiro também comentou sobre os efeitos econômicos do conflito, prevendo um aumento no preço do petróleo. “Por conta da guerra contra o Irã, o preço do petróleo já vem subindo em quase todo mundo e deve encarecer ainda mais“, afirmou Lula. Ele mencionou os impactos humanitários e econômicos, com especial atenção a mulheres e crianças.

Lula abordou ainda a importância da exploração de minerais críticos, essenciais para a transição energética e digital. Ele defendeu que o Brasil repense o modelo de exploração de recursos naturais, evitando a exportação de matérias-primas sem agregar valor.

Chega! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais querer levar?”, questionou o presidente, defendendo que a riqueza mineral do país deve beneficiar a população local. Ele enfatizou que o objetivo é tirar proveito desses recursos para melhorar as condições de vida, e não apenas vendê-los.

O presidente Lula confirmou sua participação na quarta reunião “Em Defesa da Democracia“, em Barcelona, Espanha, no dia 18 de abril, a convite do primeiro-ministro Pedro Sánchez. O evento busca fortalecer a cooperação em temas como regulação do ambiente digital, inteligência artificial e valorização de fontes de informação de qualidade.

Ele reiterou a convicção de que o Brasil e a África do Sul compartilham a importância de o Sul Global ter voz ativa nas decisões internacionais, buscando aproximar os países em agendas multilaterais.

Fonte: Agência Brasil

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