Uma tarde que deveria ser de trabalho comum transformou-se em um cenário de guerra na Fazenda Caprichosa, situada na zona rural de Prado, no extremo sul da Bahia. Na última quinta-feira (9/4), cerca de 30 trabalhadores rurais, juntamente com o proprietário da terra, foram surpreendidos por uma violenta ofensiva armada enquanto realizavam a colheita de café. Sob uma chuva de disparos, que teriam partido de armas de grosso calibre, o grupo foi obrigado a abandonar as atividades e buscar refúgio na vegetação densa para preservar a vida.
O clima de insegurança escalou rapidamente quando os agressores, que se identificaram como indígenas, atearam fogo em áreas de pastagem próximas ao local da colheita. Enquanto a maioria dos funcionários conseguia fugir em direção à sede da propriedade em busca de ajuda, o fazendeiro optou por permanecer em campo na tentativa de proteger o maquinário agrícola contra possíveis incêndios.
Contudo, a situação tornou-se crítica quando alguns colaboradores começaram a apresentar problemas de saúde devido ao forte estresse emocional. Ao tentar realizar a retirada desses funcionários em um automóvel, o proprietário foi impedido por novos disparos, ficando encurralado dentro do veículo com mais quatro pessoas por diversas horas.
O resgate das vítimas só foi possível por volta das 20h, quando equipes das polícias Militar e Civil de Prado, reforçadas por unidades de segurança da região, conseguiram acessar a área e garantir a saída segura dos sitiados. Apesar do rastro de destruição, que incluiu perfurações em máquinas agrícolas e pastos queimados, não houve registro de feridos por disparos. As evidências colhidas no local reforçam a gravidade do episódio, indicando o uso de armamento pesado durante a investida criminosa.
As investigações iniciais conduzidas pelas autoridades sugerem que o ataque está inserido em um contexto de conflitos fundiários recorrentes naquela área. A suspeita é de que o episódio seja uma retaliação relacionada à fazenda vizinha, conhecida como “Rolinha”, que foi recentemente retomada pelo produtor rural Djalma Galão após um período de ocupação.
O caso segue sob apuração rigorosa para identificar os autores e os mandantes da ação. Enquanto isso, o clima entre os trabalhadores rurais do extremo sul é de apreensão, com pedidos urgentes de reforço na segurança pública para conter o avanço da violência em propriedades privadas da região.
