Um policial militar da reserva foi detido na manhã desta quinta-feira (5/3) em Salvador, durante a deflagração da Operação Chave Mestra. A ação policial investiga um grupo criminoso especializado em furtar veículos de locadoras, utilizando métodos sofisticados para burlar a segurança dos automóveis.
As investigações da Polícia Civil apontam que a organização criminosa atuava de forma meticulosa, clonando chaves, adulterando chassis e instalando rastreadores ocultos nos carros alugados. O objetivo era subtrair os veículos após serem locados regularmente, reinserindo-os no mercado ilegal após as modificações.
Ao todo, nove pessoas foram presas e 26 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes estados. A operação, que contou com a participação do Departamento Especializado de Investigações Criminais, visa desarticular completamente essa rede criminosa. Conforme informações divulgadas pela TV Bahia, o grupo possuía ramificações em outros estados, como Sergipe e Santa Catarina.
Líder da organização preso em Salvador planejava ações e recrutava membros
Um dos presos é apontado pelas autoridades como o líder da organização. Ele foi localizado no bairro de Itapuã, em Salvador, e, segundo as apurações, era o responsável por planejar as ações do grupo. Sua função incluía o recrutamento de indivíduos encarregados de alugar os carros que seriam futuramente roubados.
O esquema criminoso envolvia diversas etapas. Inicialmente, os membros da quadrilha alugavam os veículos de forma legal em locadoras. Durante o período de locação, eles providenciavam cópias das chaves e instalavam dispositivos de rastreamento sem o conhecimento das empresas. Essa prática permitia que o grupo recuperasse os carros.
Após devolverem os veículos alugados, os criminosos aguardavam que os mesmos fossem locados novamente por outros clientes. Com os rastreadores e as chaves clonadas em mãos, eles subtraíam os automóveis de forma clandestina, muitas vezes poucos dias após a nova locação.
Uma vez recuperados, os veículos passavam por um processo de adulteração dos sinais identificadores. Placas eram trocadas, chassis modificados e documentos falsificados. Essas alterações visavam dificultar a identificação dos carros roubados e permitir sua revenda.
O destino desses veículos adulterados era principalmente o mercado ilegal em cidades do interior da Bahia e em outros estados. A Polícia Civil iniciou as investigações após identificar um padrão recorrente no desaparecimento de carros alugados por empresas do setor, o que levantou suspeitas sobre a atuação de uma organização criminosa.
A ofensiva policial não se limitou à Bahia. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador, Feira de Santana e Dias d’Ávila, na Bahia. Além disso, a operação se estendeu para Aracaju, em Sergipe, e Balneário Camboriú, em Santa Catarina, demonstrando o alcance interestadual da quadrilha.
Do total de nove pessoas presas, sete foram detidas em Salvador, uma em Aracaju e outra em Balneário Camboriú. A Polícia Civil destacou que a estrutura criminosa possuía funções bem definidas, voltadas para a prática reiterada de furtos qualificados, o que exigiu uma investigação aprofundada e uma operação coordenada.
O nome da operação, Chave Mestra, faz alusão direta à prática de clonagem de chaves utilizada pelo grupo. As investigações revelaram que a organização possuía conhecimento técnico para realizar essas cópias e, posteriormente, utilizar dispositivos de rastreamento para localizar e subtrair os veículos.
A atuação do grupo impactava diretamente as locadoras de veículos, gerando prejuízos financeiros e exigindo um esforço policial significativo para sua desarticulação. A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros possíveis envolvidos e recuperar os veículos subtraídos.
