O vereador Deivide Henrique (Avante), de 33 anos, foi um dos alvos da operação “Senhor das Armas”, deflagrada na manhã desta segunda-feira (18), por uma força-tarefa composta pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela Polícia Civil. O parlamentar é investigado por suspeita de integrar um esquema de fornecimento ilegal de armas de fogo e munições, que teria como clientes tanto membros de facções criminosas quanto policiais militares na região de Paulo Afonso, no norte do estado.
Segundo o MP-BA, a investigação aponta para a comercialização de armamentos de grosso calibre, incluindo armas de calibre .50, capazes de perfurar blindagens. A operação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em quatro endereços situados em Salvador. Durante as diligências, as autoridades apreenderam três armas de fogo, uma carabina de pressão, 137 munições, 11 aparelhos celulares e um veículo, que passarão por perícia para subsidiar o inquérito.
A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco Norte), com suporte da 18ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin) e do Departamento de Polícia do Interior (Dirpin Norte). As investigações seguem em curso com o objetivo de desmantelar a estrutura do grupo e identificar outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.
Trajetória política e pessoal
Natural de Arapiraca, Alagoas, Deivide Henrique é empresário do ramo de colchões ortopédicos. Sua trajetória pública em Paulo Afonso ganhou destaque com a fundação, em 2018, do projeto social “Amigos Solidários”, voltado para melhorias em bairros como Siriema, Santa Inês, Benone Rezende e o complexo BTN. Após uma primeira tentativa frustrada nas urnas em 2020, o parlamentar foi eleito em 2024, conquistando 1.149 votos.
O que diz a defesa
Por meio de nota oficial, a defesa técnica de Deivide Henrique afirmou que o vereador acompanhou todo o cumprimento do mandado em sua residência e colaborou de maneira “tranquila e transparente” com as autoridades. Os advogados ressaltaram que, ao final da diligência em sua casa, “não foi encontrado qualquer material ilícito, irregular ou elemento indicativo de prática ilegal”.
A defesa destacou ainda que está analisando detalhadamente os autos do processo para o pleno esclarecimento dos fatos. O texto reafirma a confiança do vereador nas instituições e no Poder Judiciário, salientando que o princípio constitucional da presunção de inocência deve ser respeitado durante o andamento do processo. O parlamentar se comprometeu a adotar as medidas jurídicas cabíveis assim que a análise do material for concluída.
