Uma grande operação policial foi deflagrada nesta quarta-feira (11/3) na Bahia e em São Paulo, resultando na prisão de 12 pessoas suspeitas de integrar um esquema complexo de comercialização ilegal de canetas emagrecedoras. A ação, denominada Operação Peptídeos, cumpriu 57 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão em diversas cidades.
A investigação aponta que a rede estruturada se dedicava à venda clandestina de substâncias utilizadas no tratamento de diabetes tipo 2, mas que eram amplamente divulgadas e vendidas para fins estéticos e de emagrecimento. Muitos desses produtos eram comercializados sem prescrição médica e fora dos padrões sanitários exigidos pela legislação brasileira.
Conforme apuração, a operação teve como alvos principais locais como lojas, clínicas, farmácias e até mesmo um hospital. A Polícia Civil informou que as investigações indicam que a venda dos produtos ocorria principalmente através de redes sociais e aplicativos de mensagens, evidenciando a necessidade de atenção redobrada dos consumidores.
A Operação Peptídeos, que conta com a participação de mais de 200 policiais civis, desarticulou uma rede que importava substâncias proibidas dos Estados Unidos e da Itália, além de obter material de São Paulo. Um dentista, considerado o alvo principal, foi detido em Salvador com diversas canetas emagrecedoras e substâncias que seriam utilizadas na produção e comercialização dos produtos ilegais.
Segundo o delegado Thomas Galdino, diretor do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), o apartamento do dentista continha um grande volume de material apreendido. “Todo material foi apreendido, assim como o nosso alvo e a esposa foram conduzidos para medidas judiciais cabíveis“, declarou Galdino.
O delegado Thiago Costa, titular da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), detalhou que o suspeito possuía uma farmácia e uma clínica. Ele importava produtos e utilizava receitas da esposa para obter o material em clínicas de manipulação em São Paulo, inclusive em uma clínica que já havia sido alvo da Polícia Federal em 2025.
A operação também cumpriu mandados em sete clínicas de estética, dois hospitais, farmácias e uma clínica odontológica. Uma biomédica chegou a ser presa em flagrante durante a ação policial. Em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, duas mulheres foram presas e estão prestando depoimentos para identificar fornecedores e a origem do material.

A polícia destacou que foram identificados indícios de transporte e armazenamento dos produtos sem o devido controle sanitário. Além disso, a comercialização ocorria sem comunicação aos órgãos de vigilância sanitária, o que representa um grave risco à saúde pública.
A Operação Peptídeos contou com o apoio de diversas equipes, incluindo o Departamento de Polícia Técnica (DPT), a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), equipes da Vigilância Sanitária Municipal de Salvador (DVIS), Coordenações de Polícia Interestadual (Polinter) e de Operações de Polícia Judiciária (COPJ), Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) e a Polícia Militar da Bahia (PM-BA).
A investigação continua para identificar todos os envolvidos na cadeia de produção, distribuição e venda desses produtos, visando coibir futuras práticas criminosas e proteger os consumidores de ofertas enganosas e perigosas. A Operação Peptídeos é um marco no combate a esse tipo de crime na Bahia.
