A rede pública de saúde de Eunápolis atravessa um dos períodos mais conturbados dos últimos anos. Em um intervalo de poucos dias, uma sequência de acontecimentos abalou a administração municipal e colocou a gestão da pasta sob forte pressão e desconfiança.
O cenário envolve a anulação judicial de uma licitação estimada em R$ 6 milhões mensais, a saída da titular da Secretaria de Saúde e o desdobramento de uma operação do Ministério Público da Bahia que apura esquema de corrupção e desvio de verbas no Hospital Geral de Eunápolis (HGE).
O primeiro grande baque na infraestrutura da saúde ocorreu com a decisão da Justiça de declarar a nulidade do Chamamento Público nº 001/2026. O certame buscava contratar uma Organização Social para gerir o Hospital Geral com um repasse milionário vindo dos cofres públicos.
Contudo, a condução do processo violou os princípios da transparência, publicidade e isonomia após os organizadores alterarem o local de entrega das propostas financeiras sem publicar a mudança nos meios oficiais de imprensa, forçando a determinação de um novo prazo e o reframe completo da sessão.
Para agravar o quadro de incertezas, no dia seguinte à anulação do certame, a médica Edna Alves comunicou publicamente a sua renúncia ao cargo de secretária municipal de Saúde. Após permanecer pouco mais de quatro meses no comando do setor, a gestora divulgou uma carta de despedida em que declarou a necessidade de respeitar seus limites pessoais, ressaltando que cuidar de pessoas também exige reconhecer o momento de olhar para a própria vida e para sua família.
Sua saída ocorre no momento em que o hospital enfrentava duras críticas da população e vinha sendo administrado de forma temporária diretamente pela prefeitura após o fim da parceria com a organização gestora anterior.
Paralelamente ao turbilhão administrativo e político, a Polícia Militar e o Ministério Público da Bahia, por meio do Gaeco Sul e da 3ª Promotoria de Justiça local, deflagraram a Operação Parasita. As investigações buscam desmantelar uma suposta associação criminosa dedicada a drenar verbas destinadas à manutenção e ao funcionamento do HGE.
De acordo com os órgãos de controle, o grupo atuava por meio do faturamento de notas com valores inflados, fraudes contratuais e apropriação indevida de verbas da saúde. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na cidade, os agentes confiscaram computadores, celulares e vasta documentação técnica, além de prenderem um indivíduo em flagrante pelo crime de porte ilegal de arma de fogo.
As investigações prosseguem protegidas por sigilo judicial, e o material recolhido pelo Ministério Público passará por periciais que podem resultar em novas etapas do processo.
Enquanto isso, a população de Eunápolis assiste com apreensão ao desenrolar dos fatos, aguardando que a prefeitura informe quem assumirá definitivamente a pasta e como serão conduzidos os atendimentos hospitalares e os processos de contratação para garantir o funcionamento regular dos serviços essenciais no município.
