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Empresa de filho de Otto recebeu R$ 12 mi do Banco Master, aponta investigação

Documentos da Receita Federal detalham pagamentos milionários do Banco Master a empresas ligadas a figuras políticas influentes na Bahia, abrangendo aliados do PT e oposição. Os repasses investigados totalizam mais de R$ 37 milhões entre 2022 e 2025, envolvendo nomes como Otto Alencar Filho, ACM Neto e a BN Financeira, associada ao senador Jaques Wagner. […]

Documentos da Receita Federal detalham pagamentos milionários do Banco Master a empresas ligadas a figuras políticas influentes na Bahia, abrangendo aliados do PT e oposição. Os repasses investigados totalizam mais de R$ 37 milhões entre 2022 e 2025, envolvendo nomes como Otto Alencar Filho, ACM Neto e a BN Financeira, associada ao senador Jaques Wagner.

As revelações, obtidas pelo O Globo junto à Receita Federal, aprofundam as conexões entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o cenário político baiano. Os registros apontam para uma capilaridade do banco que atravessa diferentes vertentes partidárias, evidenciando uma ampla rede de relacionamentos financeiros.

Os documentos fiscais detalham pagamentos significativos a empresas cujos sócios ou associados possuem laços com políticos de destaque no estado. As transações, que englobam serviços faturados e devidamente tributados, levantam questões sobre a natureza das operações e suas implicações políticas.

As informações foram divulgadas após um levantamento detalhado da Receita Federal, revelando a extensão dos negócios entre o Banco Master e personalidades políticas. Estes pagamentos, ocorridos entre 2022 e 2025, colocam em evidência a influência e o alcance do banco no estado baiano, conforme detalhado na notícia original.

Otto Alencar Filho, filho do senador Otto Alencar (PSD-BA) e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), teve sua empresa, a Mollitiam Financeira, beneficiada com R$ 12 milhões do Banco Master. Os pagamentos ocorreram entre 2022 e 2025, segundo os documentos da Receita Federal. A empresa Mollitiam Financeira é controlada pela M&A Participação, na qual Otto Filho detém participação acionária. Em nota, Otto Alencar Filho afirmou que a M&A Participação possui ações em diversas empresas e que todos os serviços foram devidamente faturados, contabilizados e tiveram os impostos pagos, respeitando a legislação. Ele ressaltou que sua empresa não exerce função de administradora em nenhuma das companhias nas quais detém participação acionária.

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ACM Neto e a consultoria que recebeu R$ 5,4 milhões

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo do estado, ACM Neto (União Brasil), também figura nos documentos. Sua empresa de consultoria recebeu R$ 5,4 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025. ACM Neto declarou que não pode validar os valores por não ter tido acesso direto aos dados, mas garantiu que a relação com o Master foi firmada quando nenhum dos sócios de sua empresa ocupava cargo público. Ele prestava análise da agenda político-econômica nacional e se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos, pedindo apuração sobre o vazamento de dados fiscais sigilosos.

BN Financeira, ligada a Jaques Wagner, recebe R$ 14 milhões

Outro vínculo significativo identificado é o da BN Financeira, empresa cuja sócia, Bonnie Toaldo Bonilha, é casada com um enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA). A BN Financeira recebeu R$ 14 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, sendo R$ 7 milhões apenas no último ano, com contrato firmado em 2021. Em resposta, a BN Financeira negou qualquer ligação com o senador, informou que foi fundada em 2021 e que prestou serviços de prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado ao Master. A empresa destacou que todos os recursos foram recebidos de forma oficial, contabilizados, com emissão de notas fiscais e declaração à Receita Federal, e que não há investigações policiais sobre o tema.

Ronaldo Bento e a Meta Consultoria recebem R$ 6,2 milhões em 2025

Os registros ainda incluem pagamentos à Meta Consultoria, empresa do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, que atuou no governo Jair Bolsonaro. A empresa recebeu R$ 6,2 milhões do Banco Master somente em 2025. Ronaldo Bento teve convocação aprovada pela CPI do Crime Organizado por sua atuação como diretor no Banco Pleno, instituição ligada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master. A origem da relação do Banco Master com a Bahia remonta à entrada de Augusto Ferreira Lima, preso na Operação Compliance Zero, na sociedade da instituição. Lima adquiriu o Credcesta, um cartão de benefícios que expandiu nacionalmente em parceria com o Banco Master, após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) durante o governo de Rui Costa.

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