A prefeitura de Eunápolis e os gestores da saúde pública do município amanheceram sob a sombra de um escândalo vergonhoso.
MPBA deflagra operação contra desvio de recursos públicos destinados à saúde em Eunápolis
Na manhã desta quinta-feira (2/6), a deflagração da “Operação Parasita” pelo Ministério Público da Bahia trouxe à tona um cenário alarmante: o Hospital Geral de Eunápolis (HGE), que deveria ser um refúgio para quem precisa de atendimento médico, transformou-se em alvo de um esquema estruturado para desviar verbas públicas.
A ação, conduzida pelo Gaeco Sul e pela 3ª Promotoria de Justiça com apoio da Polícia Militar, revela o tamanho do abismo administrativo em que a gestão da saúde local se encontra.
As investigações apontam para uma falha grave na vigilância dos contratos do município. Fraudes contratuais e notas fiscais superfaturadas eram utilizadas para sangrar os cofres públicos, enriquecendo particulares enquanto a população da Costa do Descobrimento enfrenta as consequências diárias da falta de estrutura na saúde.
O grupo criminoso operava desviando repasses asfixiados da saúde e ainda utilizava mecanismos para ocultar o rastro do dinheiro, demonstrando uma audácia que só prospera onde a governança e a transparência são falhas.
O nome escolhido pelo Ministério Público para batizar a ofensiva é uma crítica severa e direta ao impacto social desse crime. Chamar o esquema de “Parasita” define com exatidão aqueles que se alimentam dos recursos essenciais à sobrevivência do cidadão para priorizar lucros privados.
Durante o cumprimento dos mandados, o confisco de computadores, celulares e faturas escancara a necessidade de uma varredura profunda nos contratos firmados pela administração municipal, evidenciando que os mecanismos internos de controle foram completamente ineficazes em proteger o HGE.

Embora o processo agora corra sob sigilo de Justiça para garantir a coleta de provas e o direito de defesa, o dano político e social à imagem do município já é profundo.
A comunidade de Eunápolis não pode aceitar que verbas carimbadas para salvar vidas sejam tratadas com tamanho descaso. Diante da apreensão desse vasto material, espera-se que as investigações alcancem todos os níveis de responsabilidade e que a gestão pública venha a público explicar como um esquema desse porte conseguiu se instalar e operar dentro da principal unidade hospitalar da cidade.
