O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um conselho claro de seus aliados e marqueteiros de campanha: ficar em silêncio sobre a recente polêmica envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Nos bastidores, parlamentares do PT e assessores avaliam que o caso é um problema exclusivo da Justiça e do STF. Para eles, o governo federal não tem nenhuma ligação com o assunto e qualquer declaração de Lula serviria apenas para atrair uma crise que não pertence à administração dele. Um membro da campanha resumiu que, embora o caso anime a oposição e alimente críticas contra ministros do STF, ele passa longe da disputa eleitoral do presidente.
A polêmica cresceu após a Polícia Federal divulgar mensagens e relatórios encontrados no celular de Daniel Vorcaro. Os documentos mostram uma relação próxima entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, incluindo encontros em São Paulo e a organização conjunta de um evento jurídico em Londres.
Entre as mensagens recuperadas, a polícia descobriu que, apenas dois dias antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem para Moraes perguntando sobre a possibilidade de deixar o país. A fuga foi impedida quando o empresário acabou detido pela polícia no Aeroporto de Guarulhos.

As investigações da PF também revelaram contratos milionários entre empresas de Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Os documentos mostram acordos de valores muito altos, incluindo:
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Contrato de prestação de serviços: Previa o pagamento de 36 parcelas de R$ 3 milhões cada para atuar em delegacias e órgãos públicos.
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Contrato com a Viking Participações: Estipulava pagamentos de até R$ 50 milhões em três anos, com a possibilidade de quitar os honorários advocatícios por meio de bens e imóveis.
