A Austrália está prestes a alcançar um feito inédito na saúde global ao se tornar o primeiro país a eliminar o câncer do colo do útero como um problema de saúde pública. De acordo com o relatório de progresso publicado em novembro de 2024, a nação conseguiu reduzir a incidência da doença para 6,3 casos por 100 mil mulheres, registrando um marco histórico: a ausência total de casos entre mulheres com menos de 25 anos. Esse sucesso é o resultado direto de uma estratégia iniciada em 2017, que substituiu o Papanicolau pelo teste de HPV, um método mais sensível que permitiu identificar e tratar precocemente lesões que poderiam evoluir para tumores. Com essa abordagem, a prevalência dos tipos mais agressivos do vírus despencou, elevando a taxa de sobrevida das pacientes para quase 77%.
Inspirado por esse cenário, o Brasil iniciou em 2025 uma mudança profunda em seu sistema de saúde pública para seguir o mesmo caminho. O país passou a implantar o teste de DNA-HPV como método primário de rastreamento no SUS, substituindo progressivamente o Papanicolau. Essa nova tecnologia oferece uma sensibilidade muito maior para detectar o risco de câncer e permite que mulheres com resultados negativos façam o acompanhamento em intervalos maiores, de até cinco anos. Além disso, a inovação possibilita a autocoleta em comunidades específicas, facilitando o acesso à saúde em regiões remotas. No campo da prevenção, o Brasil já apresenta números expressivos, com a cobertura da primeira dose da vacina contra o HPV superando 82% entre meninas, um índice acima da média mundial.
Apesar do otimismo trazido pela nova tecnologia e pela vacinação, o Brasil ainda enfrenta desafios geográficos e sociais significativos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 17 mil novos casos anuais para o triênio 2023–2025, com uma concentração preocupante de mortes nas regiões Norte e Nordeste, onde o acesso ao diagnóstico precoce ainda é irregular.
Como a doença costuma ser silenciosa em suas fases iniciais, as autoridades de saúde reforçam que sinais como sangramentos anormais, dores pélvicas e corrimentos persistentes devem ser investigados imediatamente. O objetivo brasileiro é garantir que a logística e a continuidade do cuidado alcancem todo o território nacional, permitindo que a medicina transforme o câncer de colo de útero em uma doença do passado.
