O talento e a sensibilidade social de um estudante brasileiro estão gerando esperança para milhares de famílias que convivem com a escassez hídrica. Lucas Figueiredo Medeiros, um aluno de apenas 14 anos do Colégio Santa Maria, no Recife (PE), desenvolveu um sistema de bombeamento de água movido a energia eólica utilizando, majoritariamente, lixo reciclado. A iniciativa visa oferecer uma alternativa viável para o Semiárido nordestino, evitando que moradores precisem caminhar quilômetros em busca de água.
Tecnologia de baixo custo e alto impacto
Diferente das bombas convencionais, o protótipo de Lucas é fabricado com garrafas PET, sucata metálica e componentes de equipamentos eletrônicos antigos. Essa escolha de materiais torna o equipamento 70% mais barato que as opções disponíveis no mercado. Segundo estimativas ligadas ao projeto, tecnologias acessíveis como esta têm o potencial de beneficiar até 1 bilhão de pessoas que enfrentam dificuldades de acesso à água em todo o mundo.
A inspiração para o projeto surgiu da observação direta da realidade de comunidades rurais. Lucas buscou criar algo que não fosse apenas barato, mas também replicável. O design foi pensado para que os próprios agricultores e moradores consigam montar e manter o sistema com o mínimo de auxílio técnico, promovendo autonomia para as famílias.
Como funciona o sistema
O funcionamento remete à engenhosidade vista no filme “O Menino que Descobriu o Vento”. O sistema utiliza exclusivamente a força da natureza: o vento aciona um conjunto de hélices que, por sua vez, gira um eixo conectado a um mecanismo de sucção. Esse processo é capaz de extrair água de poços, cacimbas ou reservatórios de forma contínua e sustentável, sem depender de energia elétrica ou combustíveis fósseis.
Reconhecimento Internacional
O projeto não conquistou apenas a admiração de professores, agricultores e líderes comunitários locais. A inovação de Lucas atravessou fronteiras e recebeu um prestigioso prêmio internacional em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O reconhecimento destaca a importância de soluções de energia limpa voltadas para o impacto social e o desenvolvimento de tecnologias de baixo custo.
Para Lucas, a pesquisa foi um processo colaborativo, unindo o conhecimento acadêmico à vivência prática de quem lida diariamente com a seca. O resultado é um exemplo claro de como a ciência jovem pode transformar realidades e oferecer dignidade através da sustentabilidade.
