Um levantamento divulgado na última sexta-feira (11/07) pelo Ministério da Educação (MEC) revelou dados alarmantes sobre a alfabetização infantil no Brasil. A Bahia registrou o pior desempenho entre todos os estados, com apenas 35,98% das crianças matriculadas no 2º ano do ensino fundamental sendo consideradas alfabetizadas. O número é significativamente inferior à média nacional, que ficou em 59,13%.
As estatísticas integram o Indicador Criança Alfabetizada, que mede a capacidade de leitura e escrita de crianças por volta dos 7 anos de idade. Para o presidente do Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE-BA), Roberto Gondim, o dado reflete a urgência em reforçar as ações voltadas à alfabetização na primeira infância. Ele defende uma atuação mais integrada entre os entes federativos. “Cuidar da alfabetização é pensar no futuro da educação em todos os níveis. Precisamos de uma política mais articulada para garantir que nossas crianças tenham acesso real ao conhecimento”, avaliou.
Salvador também fica abaixo da meta
A capital baiana apresentou desempenho levemente superior à média estadual, com 36,75% das crianças alfabetizadas. No entanto, o índice ainda está abaixo da meta estipulada para 2024, que era de 45,52%. Gondim apontou que um dos desafios do setor é a falta de integração no sistema educacional brasileiro. “Enquanto a saúde opera em um sistema nacional único, a educação ainda é dividida, o que dificulta ações mais efetivas nos municípios, responsáveis por essa etapa de ensino”, completou.
Brasil avança, mas não atinge objetivo
Em nível nacional, o percentual de crianças alfabetizadas cresceu de 56% em 2023 para 59,2% em 2024, mas ainda assim não alcançou a meta de 60% estabelecida pelo governo federal. O ministro da Educação, Camilo Santana, atribuiu parte da dificuldade à situação enfrentada pelo Rio Grande do Sul, duramente atingido por enchentes no último ano. O estado, que tinha um dos melhores índices, viu sua taxa despencar de 63,40% para 44,67%.
Durante uma coletiva em Brasília, Santana afirmou que a meta para este ano será ampliada para 64%, com reforço das ações nos estados e municípios. O plano nacional prevê que até 2030, pelo menos 80% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas no tempo correto.
Desigualdade regional
O levantamento também expôs as desigualdades entre os estados. Além da Bahia, outras unidades da federação também registraram queda nos índices, como Amazonas, Pará, Paraná, Rondônia e o próprio Rio Grande do Sul. Em contrapartida, 11 estados atingiram ou superaram suas metas. Os melhores resultados foram observados no:
Ceará – 85,31%
Goiás – 72,74%
Minas Gerais – 72,07%
Espírito Santo – 71,69%
Paraná – 70,42%
Para Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas do Todos Pela Educação, apesar da meta nacional não ter sido alcançada, o avanço deve ser valorizado. “Tivemos crescimento em 18 dos 24 estados que divulgaram resultados. Isso mostra que o país está caminhando, ainda que de forma desigual, para melhorar os índices de alfabetização”, analisou.
O indicador serve como termômetro para orientar políticas públicas e mobilizar gestores no desafio de garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever na idade certa.