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16 cidades na Bahia ficam sem agências e moradores precisam viajar para sacar dinheiro

Nem mesmo a pressão das ruas ou as ordens vindas dos tribunais foram capazes de frear o processo de desmonte bancário que avança sobre a Bahia. Marcado por intensos protestos populares e uma série de batalhas jurídicas travadas por prefeituras do interior, o ano de 2025 consolidou um cenário de isolamento financeiro para milhares de […]

Nem mesmo a pressão das ruas ou as ordens vindas dos tribunais foram capazes de frear o processo de desmonte bancário que avança sobre a Bahia. Marcado por intensos protestos populares e uma série de batalhas jurídicas travadas por prefeituras do interior, o ano de 2025 consolidou um cenário de isolamento financeiro para milhares de baianos. Sob o argumento de que a era digital tornou o atendimento presencial obsoleto, grandes instituições financeiras encerraram 48 agências no estado, enquanto inauguraram apenas duas, deixando um rastro de insatisfação e dificuldades logísticas.

A resistência das comunidades locais reflete o drama de quem, agora, precisa viajar dezenas de quilômetros para realizar serviços básicos. O Relatório de Agências Bancárias 2025, do Sindicato dos Bancários da Bahia, revela que 16 municípios ficaram sem nenhuma agência após o fechamento de unidades que eram as únicas da cidade — todas pertencentes ao Bradesco. Em localidades como Pedro Alexandre e Chorrochó, a gestão municipal chegou a obter decisões judiciais favoráveis para manter as portas abertas, mas as determinações foram descumpridas. O caso de Olindina ilustra bem o transtorno: com o fim da agência local em junho, correntistas foram transferidos para Rio Real, a 50 quilômetros de distância, gerando revolta em moradores que sequer conhecem o novo destino.

O esvaziamento não poupou a capital, onde o encerramento de 19 unidades provocou lotação nas agências remanescentes. O Itaú, segundo banco que mais fechou postos no estado, desativou nove agências em Salvador, em bairros como Pituba e Barra, justificando a mudança pela migração de 97% das transações para canais digitais. Santander e Caixa Econômica seguiram caminho semelhante, reduzindo suas estruturas físicas. Enquanto os bancos defendem a eficiência do modelo digital e dos correspondentes bancários, o Sindicato dos Bancários denuncia a prática como uma busca desenfreada pelo lucro, que ignora as necessidades da população de baixa renda e potencializa o desemprego.

Atualmente, o vazio bancário atinge 214 municípios baianos, o que representa mais de 51% de todo o território estadual sem o suporte de uma agência física. Para quem vive em cidades como Uruçuca, Itagimirim ou Palmeiras, a modernidade prometida pelos aplicativos esbarra na realidade da exclusão digital e na falta de auxílio presencial especializado. O cenário atual mostra que, apesar das liminares e das manifestações nas portas dos bancos, a estratégia de unificação e redução de custos das instituições financeiras segue transformando o acesso ao dinheiro em um desafio geográfico para o cidadão baiano.

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